quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Minhas palabras


“Jardim do coração”

Sentada em um banco de jardim.
Livro nas mãos.
Pensamentos em vão.
Um doce moço chama sua atenção.

Olha para o portão,
Um doce menino e seu violão.

Um verso do destino,
Uma música dos anos 60,
E o doce menino que na casa dela adentra.

O passado no presente,
Um amor antigo,
Porém, recente.

Hoje quem dera,
Um amigo que veio dizer o que sente.

Um encontro de almas tão diferente.








“O significado verdadeiro”

Amar é saber olhar dentro do coração de alguém
E enxergar apenas suas qualidades.

Quantas desilusões, meu menino,
Quanta incredibilidade acerca de um amor.
E quantas alegrias.

Trinta anos se passaram, mas,
O tempo jamais conseguirá mudar a essência
De alguém e nem o amor de outrem.

Quem ama se sente tranquilo ao lado da pessoa amada
E se ao seu lado ela não está,
A felicidade vem apenas de saber que ela está bem.

O amor é liberdade e a ele pertence
Um misto de alegria e saudade.

“Chuva de verão”

Sonhando acordada caminho na chuva.

Chuva  de verão, um portal mágico para te encontrar.

É tarde da noite e lembro de momentos.
Momentos tranquilos como a chuva que cai.


Talvez tu estejas dormindo,
Não ouvindo a chuva de verão,
Mas o gelo do inverno.

Fecho os olhos e te mando um abraço quente,
Como tantos que te dei.

As palavras para ti nunca cessaram.
São como gotas de chuva que caem
E essa chuva, por algum motivo,
Só tu tens.

Karin Gobitta-Földes

domingo, 15 de setembro de 2019

“De décadas em décadas”

“De décadas em décadas”

Um sorriso que conheci aos 30.
Sorriso de menino.
Jeito de menino

Vieram os 40 e parece que
Nada havia mudado,
Só o rosto amadurecido.

Chegou ao meio século de vida,
Agradeceu-me pelas felicitações.

Hoje chega ao sessenta,
Um homem,
Experiências de vida,
Várias formações.

Para mim, nada mudou.

(14/09/2019)

domingo, 30 de junho de 2019

Décadas


“Décadas”

Trinta anos se passaram.
Trinta anos de um amor que
Mudaria uma vida.

Quase trinta anos do primeiro encontro,
Do primeiro abraço,
Do primeiro olhar.

Uma menina e um rapaz.
Duas culturas diferentes.
Uma língua como ponte.

Tantas emoções, tantas decepções.
Como aquele indivíduo fez
Com que ela mudasse, deixasse a timidez,
Encarasse o mundo de vez.

Solidão, sofrimento, experiências.
Uma vida mudada por conta de um
Sentimento tão puro
E incompreendido por normas
Sociais.

Ele que mostrou não esquecer dela,
Um toque de mãos, um abraço,
Sempre um sorriso.



Pareciam se conhecer há
Tanto tempo, tantas coisas em comum,
Dois mundos diferentes.

A vida segue como deve ser, porém,
A saudade e o coração batendo forte
Ao encontra-lo nunca acabaram.
E nem a sensação de conhece-lo
De outras vidas.
O verdadeiro amor pode se transformar, contudo,
Nunca acaba.

Karin F. (Junho/2019)


segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Irônico - entre duas vidas



Virava para lá e para cá da cama como se estivesse tendo um pesadelo. A chuva e os raios caíam lá fora. De repente acordou assustada. O coração batia forte. Era madrugada. Foi tomar um copo d’água e no caminho à cozinha, nas luzes dos relâmpagos via o rosto dele.
A última vez que viu Martino foi há mais de três anos num aeroporto. Com pressa, se esbarraram e mal se falaram.

Há anos uma adolescente havia se apaixonado por aquele garoto de sorriso simpático, não costumava sorrir, mas, quando o fazia era lindo.
A vida de tão engraçada ou o destino brincalhão separaram aqueles dois jovens, Martino e Kate.

A chuva continuou no dia seguinte, porém, mesmo lendo um bom livro ela não conseguia esquecer o pesadelo. Na verdade, não teria sido bem um pesadelo, era um sonho estranho com uma discussão quando Martino estava na casa dela e ela tentava mostrar a ele o quanto ela o tinha amado quando eram jovens e que agora nem amigos eram.

Naquele momento de sua vida, Kate já tinha achado alguém para a vida inteira como Martino não quis fazer. Ela namorava firme enquanto ele já tinha passado por três casamentos, tantos namoros e nem um “eu te amo” conseguia dizer à atual mulher.
A única coisa que Kate queria era saber o que ele tinha achado dos versos que ela escreveu a ele, ela só esperava uma resposta. Versos em tantos poemas que escreveu e, por isso, eram versos dela e dele. Ela queria apenas que Martino aceitasse aqueles versos em paz, pois, ela ficaria onde estivesse, preferindo continuar distante apenas gostando dele, porque esse sentimento tão puro a acalmava, acolhia sua alma e a ajudava a viver.
Aqueles eram versos de amor e amizade. Um amor que ela não esperava mais ter dele, contudo, uma amizade apenas.

A adolescente que sonhava em morar fora, casar com Martino e ter filhos havia ficado para trás. Agora, era uma mulher independente, comprometida com o trabalho e com as viagens que as relações internacionais exigiam dela. Talvez Martino apenas fosse seu amor imperfeito e mais raro. Tão raro que, na adolescência Kate procurou tanto por alguém assim em suas aventuras amorosas, sendo que na verdade ele era o único que a levava a fazer tantas loucuras, pois, era tão difícil encontra-lo. Ela nunca sabia onde ele estava, porém, ela não se importava. Apenas tinha colocado sua vida na palma das mãos dele. E apesar de tudo isso, só queria que ele a segurasse perto de seu coração e desse todo o seu amor a ela.

De repente, o telefone tocou e ao atender, que surpresa, era Martino. Kate ficou simplesmente sem o que dizer. Por que estaria ligando? Há anos tinha passado seu número a ele e ele nunca ligou, agora, de repente parecia ter mudado de ideia. Na verdade, precisava de ajuda.

Uma vez ela escreveu, pela internet, que se ele precisasse de ajuda ela estaria sempre ali, pronta a ajuda-lo. E aquele era o momento. Ele tinha acabado de perder a mãe, estava desnorteado, sem saber o que fazer, para onde ir e sem ter alguém para desabafar, alguém que realmente o amasse e tivesse um ombro amigo de verdade.
Como Martino morava longe, depois de dois dias estava na casa de Kate. Era janeiro e desde o início do mês ela estava de férias. Dali a alguns dias iria fugir da muvuca de verão das praias e ia para o interior onde encontraria sossego, cachoeiras e rios. Já estava planejando a viagem quando Martino tocou a campainha e Kate atendeu, indo diretamente ao portão recebe-lo.

- Pegou um taxi do aeroporto até aqui?

-Sim, achei o modo mais prático. Ia alugar um carro, porém, não vi real necessidade.

-É verdade, não há necessidade mesmo, já que tenho carro e posso te levar aonde quiser.

-Obrigado.

Martino ouviu o latido dos cachorros de Kate e vou agradá-los.

-Sei que sempre gostou de bichos, não? – perguntou ela.

-Sim, na infância tive vários.

-É, eu sei. Eu também. Hoje tenho apenas cachorros e gatos.

Entraram, ela mostrou o quarto dela onde ele poderia dormir. Ela dormiria no sofá do escritório que era bem grande e confortável. Ela mostrou onde ele poderia colocar suas coisas e pediu a ele que ficasse a vontade.

Depois de arrumar suas coisas, Kate ofereceu a ele algo para beber, já que o calor era intenso. Fez mate gelado, uma iguaria que ele não conhecia por ser do norte da Itália.

-Está uma delícia. -disse ele

-É chá mate gelado. É costume aqui. No sul tomam esse chá quente sem ser tostado e no centro-oeste tomam a mesma coisa, mas frio. No Uruguai é muito comum também, quente como no sul. Na maioria dos outros Estados brasileiros tomam assim, gelado.

-Tantas vezes que vim para esse país e isso ainda não conhecia...

-Pois é, posso te mostrar muito de nossa culinária também.

E assim continuaram conversando por um bom tempo, quando ele se lembrou de sua mãe e acabou desabafando tudo a Kate, tendo ali um abraço apertado e um ombro amigo.

-Mesmo sem termos conversado muito em todos esses anos, fico feliz que tenha confiado em mim para isso. – disse ela.

-Todas as mensagens por internet, as cartas que me entregou sempre diziam isso e, nesse momento, não sei, senti que estava sozinho em uma multidão. E você sempre escreveu que eu nunca estaria sozinho na multidão, pois, mesmo longe você estaria aqui pronta a me ajudar.

-Com certeza. Sempre.

-Você me entregou um livro de poemas em inglês. Você publicou lá fora?

-Sim. Na verdade, publiquei aqui e uma editora de Londres se interessou e publicou por lá também. É um passatempo que tenho e que me rendeu alguns trocados a mais.

-Entendo. Sabe que me identifiquei muito com os poemas?

-Eles sempre tiveram um grande amor e uma grande amizade de inspiração...Mudando de assunto, já está escuro, você deve estar com fome, não?

-Sim, agora estou. Posso te ajudar a preparar algo.

-Obrigada! Vamos até a cozinha então.

No dia seguinte, um dia lindo saíram para irem ao clube do qual Kate era sócia e se divertiram bastante. Ao chegarem, mesmo escurecendo aproveitaram também a piscina da casa de Kate, contudo, numa atmosfera mais intimista que fez com que os dois se aproximassem ainda mais.

Em todas as refeições Martino ajudava Kate a preparar e a arrumar a cozinha.

-Sabia que você cozinhava bem, mas não sabia que tão bem – Kate comentou.
Martino simplesmente sorriu. E disse:

-Não me sinto bem dormindo em sua cama e você naquele sofá...

-Fique tranquilo, muitas vezes adormeço naquele sofá assistindo a algum filme na tela no computador.

Mais um dia amanheceu e no café da manhã planejaram o dia. Foram passear pela cidade e depois andar de bicicleta pelo bairro onde Kate morava. Ela tinha uma bicicleta mais velha e uma mais nova que tinha acabado de trocar. Passearam pelo parque municipal que tinha perto onde assistiram ao nascer do sol. Um momento cheio de poesia e muito intimista que fez quase os dois se beijarem.

Voltaram para casa, tomaram um banho, comeram alguma coisa. Já tinha escurecido, passava das 9h da noite.

-Você toca instrumentos? – perguntou Martino olhando o piano, o saxofone e o violão de Kate.

-Quando eu era mais jovem estudei muito música. Hoje ainda toco para não perder o costume e nem a habilidade. Você toca também, não?

-Sim, quando criança também estudei música. Posso pegar o violão?

-Claro, fique à vontade!

Nesse momento começaram a ouvir trovões fortes e antes que Martino começasse a tocar a energia acabou e começou um temporal muito forte.

-Fique tranquilo, são tempestades comuns no verão. Vou acender as velas.
Kate trouxe várias velas e começou a acendê-las, enquanto Martino ainda estava sentado no sofá e com o violão nos braços.

-Você se importa de tocar a luz de velas? – perguntou ela.

-Não, vai ser divertido!

Os dois cantaram junto, se divertiram e assim o tempo foi passando, passando... Até que Kate ficou no outro sofá só olhando Martino tocar baladas mais calmas e ela acabou adormecendo no sofá. Martino percebeu e parou com a música. Apagou todas as velas, deixando apenas uma. Pegou  Kate no colo e colocou-a na cama. Ao deixa-la, ela sonolenta, pediu para que ele ficasse por perto. Ele apagou a última vela e deitou ao lado dela. E assim dormiram.

No dia seguinte Kate acordou já com o café posto na mesa e então não planejaram nada para aquele dia que amanheceu chuvoso. Ficaram vendo fotos, ouvindo uma boa música e à noite assistiram a um bom filme na TV. Os dois sentados no sofá foram vagarosamente se aproximando e no final do filme se beijaram.

Kate fez questão que Martino continuasse dormindo na cama dela e ela iria para o sofá. De madrugada, ele apareceu na porta de onde Kate dormia:

-Há algum problema, Martino?

-Não, apenas insônia. Posso pegar algum de seus escritos para ler? Você também publicou um romance, não foi?

-Sim. Pode pegar está aqui na estante.

-Obrigado.

Martino pegou para ler o romance que Kate havia escrito e foi para o quarto.
Acabaram por, coincidentemente, acordarem juntos e juntos também prepararam o café. Martino se mostrava outra pessoa. Não parecia mais aquele cara que chegou à casa de Kate triste por ter perdido a mãe. Havia agora brilho nos seus olhos, vida em seu sorriso.

-Puxa, Martino, você já é outra pessoa desde quando chegou. Fico muito feliz com isso.

-Tudo graças a você, Kate.

-Eu só fiz o que uma verdadeira amiga faria!

-Não sei se quero ser mais um amigo... Você acabou mexendo demais comigo todos esses dias.

-Quando você pretende ir embora?

-Por quê? Você está precisando que eu vá embora?

-Não, mas é que viajo amanhã... Estou de férias e quando você chegou já faltavam poucos dias para a minha viagem. E com dias tão divertidos acabei me esquecendo... Mas, caso queira, pode vir comigo.

-Aonde você vai?

-Vou para o interior tomar banho de cachoeira e rio. E sei que você é bem ligado à natureza.

-Sim sou, e se você me convida, irei sim.

-Muito bem. Então amanhã sairemos cedo.

Na viagem, Martino pôde conhecer mais o Brasil, coisas que ele não conhecia, comer comidas que também não conhecia e entrar em um rio, algo que nunca tinha feito.

-Essas praias de rio são muito lindas. – disse ele
-Sim, em épocas que as praias de mar estão lotadas eu busco o sossego perto desses rios. E também das cachoeiras.

-As cachoeiras também são lindas demais. Um paraíso.

Os dois continuavam muito próximos e curtiam algo que não era amizade e nem namoro. Apenas ficavam mais próximos nos passeios, de mãos dadas, às vezes se beijavam.
Depois de uma semana voltaram para a casa de Kate. Era final de tarde e estavam cansados. Fizeram apenas um lanche, tomaram um banho e foram dormir.
No meio da madrugada um trovão muito forte acorda Kate que com seu grito de suto acordou Martino. Ele correu para a porta do quarto dela e perguntou:

-Está tudo bem?

-Está. Apenas levei um susto muito grande com esse trovão que pareceu ter caído pertíssimo daqui.

Martino, então, entrou no quarto e viu que o coração de Kate estava disparado.

-Tem certeza que está tudo bem? – perguntou ele

-Sim, é que eu estava dormindo muito profundo e, por isso, o susto foi muito grande.

-Acalme-se. Vou ficar aqui com você até você se reestabelecer do susto.

Martino deitou-se ao lado dela e ela apoiou sua cabeça em seu peito. Enquanto o coração dela ainda estava disparado, o dele estava tranquilo, o que fez com ela fosse se acalmando também, contudo, ao mesmo tempo, se aproximando mais e mais dele.

Depois de dormirem e acordarem juntos, foram preparar e tomar o café.

-Martino, não tem problema você ficar tantos dias longe de casa?

-Eu sou divorciado.

-Eu sei, você se separou três vezes e tem os filhos dos três casamentos.

-Sim. Na verdade, meu primeiro casamento não estava indo bem, ia me separar antes de ter filhos, quando soube que ela estava grávida.

-Então, foi infeliz?

-Feliz pelos filhos que tive. Namorei, me casei  e me separei por mais duas vezes. Acho que na verdade não queria ficar sozinho nesse mundo.

-Por isso os filhos?

-Também. Acho que também nunca amei de verdade uma mulher. Com uma única exceção.

-Quem?

-Você, Kate.

-Agora que você descobriu isso? Parabéns!

-Por quê?

-Martino, passei quase dez anos da minha vida te amando e nunca tive retorno. Então, como você, também namorei, só não casei. E agora estou conhecendo um cara que tem tudo a ver comigo. Não estamos namorando nem nada, porém, achei a pessoa que me quer, com quem talvez eu passe o resto de minha vida, não sei, mas, vou tentar. Eu já tinha uma vida quando você chegou, sabe? De repente você vem do nada e surge essa sua vontade de mudar tudo. Foi legal o que tivemos esses dias, contudo, depois dessa noite me dei conta que por mais que eu tenha te amado no passado, as coisas mudaram. Eu não sou mais aquela pessoa que queria casar com você e ter filhos. Hoje eu tenho uma carreira e nem sei se quero casar ou ter filhos ou adotar... Sei lá! Estou conhecendo esse cara, como te disse. A verdade é que agora Martino, é que vou continuar te amando como jurei sempre amar, mas tenho que seguir a minha vida, desejando o melhor pra você e estando aqui para o que você precisar. Vou ser sua melhor amiga para sempre, esse posto eu te juro que ninguém toma.

Martino suspirou e disse:

- Então só me resta fazer as malas e partir. Agora entendi o porquê de você me perguntar se eu não tinha que ir... Na verdade eu estava até pensando em voltar com minha ex-mulher, mesmo nunca tendo conseguido dizer um eu te amo a ela.

-Escute, Martino. Isso é o melhor que você tem a fazer. Seus filhos caçulas ainda são novos, mas, quando eles crescerem vão ter a vida deles, assim como os mais velhos já tem. Amando ou não a sua terceira ex-mulher, você terá uma companheira. E, ao mesmo tempo, terá também uma mulher que mora longe de onde você mora e que vai sempre te amar. A gente nunca daria certo junto. Como amigos é uma coisa, agora como casal... Hoje vejo que iríamos viver brigando, pois, sei que tem hora que você é muito chato! – e Kate riu.

-Eu sei... É difícil aceitar, porém, sei que você tem razão. Você me conhece muito bem...

-Conheço...Nunca me esqueço o primeiro balde de gelo que você jogou em mim... Num dia, num fim de tarde de outono, você todo alegre e risonho. Quando te encontrei no dia seguinte de manhã... Que balde de neve que levei com tanta indiferença! Como diz um ditado por aqui, quem não te conhece que te compre! – e Kate riu de novo.

-O mais bonito de tudo isso, Kate, é ver que mesmo sabendo dos meus maiores defeitos, de meu mau humor matinal, de minhas manias, de certas coisas que me deixam irritado e acabo até tratando não muito bem as pessoas, você me ama.

-Sim, pois, você me ensinou que os seres humanos têm defeitos e que, como cantava o famoso vocalista Renato Russo, é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã. E eu te amo. A única coisa é que a vida nos deu outros rumos e hoje não dá mais, ou talvez, nunca desse... Prefiro deixar tudo como está e te ter como meu melhor amigo, aquele com quem eu possa contar também. E sei que nisso daremos certo. Você tem um coração de ouro. Quantas vezes em todos esses anos eu não senti sua falta como amigo...!

-Agora entendo o porquê de você me escrever dizendo que queria só sentar e tomar um café comigo.

- Pois é...

-Então, amanhã eu parto.

-Não quero te expulsar de minha casa, que ao contrário, sempre estará de portas abertas para você. O problema é que logo voltarei a trabalhar, pois, minhas férias estão acabando.
-Eu sei. Eu também tenho que partir, pois, uma vida me espera lá na Itália.

-É duro...Tudo que é bom não dura pra sempre, dura pouco, contudo, por outro lado, não acaba cedo.

No dia seguinte, Martino partiu. E eles juraram amizade eterna , selando um pacto de amizade como nunca existiu.

sábado, 5 de janeiro de 2019

As flores da estação


As flores na primavera nascem,
Nascem, mas, cada estação acaba tendo
Sua flor sincera.

Amores imperfeitos são de uma única estação,
O verão.

O verão vai e vem e às vezes essas flores
Vão além.
Além, mais além de amar.
Um amor puro não é fácil de encontrar.

Amor ou amizade?
A resposta é saudade.

Jardineira de todas as estações.


Karin Földes


terça-feira, 13 de novembro de 2018

Conto


Rimas do aleatório
(Karin Gobitta-Földes)

As mãos, assim como o sorriso parecem que muitas vezes falam mais do que mil palavras. Ela parecia estar em busca das mãos perfeitas e um dia em um rápido olhar as achou. Eram lindas, fortes, mas ao mesmo tempo delicadas como se expressassem a beleza daquele ser interior, de seu dono. Mãos que cuidavam de plantas, que tinham a sensibilidade escondida no coração de quem as possuía.
Ela também gostava de plantas, mas sua sensibilidade transbordava em palavras, palavras que eram escritas pra ele, contudo que ele não fazia a menor ideia que existiam.
Uma paixão adolescente, um primeiro amor, o sonho de um casamento que nunca aconteceu, pois, o tempo passou, veio a maturidade e aquele amor todo, jurado para sempre, secreto, vindo de apenas um lado ultrapassou todas as barreiras e se transformou, se desabrochou como uma orquídea que nasce quando não é afogada pelas águas da paixão e nem queimada pelo fogo da mesma.
Na maturidade ela começou a ler os romances de épocas antigas e a entender realmente o que sentia, era amor verdadeiro, não mais uma paixão adolescente que se tem a necessidade do outro. O simples sorriso dele, saber que ele estava feliz era o suficiente para ela.
Um dia, num belo amanhecer ela viu sua orquídea sorrir para ela, havia tido um sonho que iria encontrá-lo conversar com ele e mal sabia que esse sonho se tornaria realidade.
Uma vez, tomara coragem, e disse que o amava, havia pedido um beijo, havia escrito em poemas sobre seu amor simples e sincero que não pediria nada em troca. Queria apenas sentar com ele e conversar, tomar um café, conversar sobre as coisas que tinham em comum. Queria apenas tê-lo como amigo, poder ouvir às vezes sua voz ao telefone, poder uma vez ou outra encontrá-lo para lhe dar um abraço.
Naquele dia, a orquídea e o sonho deram o sinal a ela. Deixou que as coisas corressem naturalmente como um rio e numa tarde de domingo que teve a surpresa do encontro que pôde, enfim, bater um papo e foi muito mais do que ela imaginava. Pôde abraçá-lo, beijá-lo no rosto e agradecer por simplesmente tê-lo em sua vida.

E ela o encontrou em uma trade, naquela cidade a beira mar, sem querer, em sua livraria favorita. Estava lá o pôster dele lançando seu livro, em poucos minutos estaria num bate-papo com seus leitores. E não a convidou? Não se lembrou dela? De qualquer forma resolveu dar uma olhada. Era preciso ter o nome na lista de convidados. Perguntou assim mesmo ao responsável pelo controle da lista que lhe disse que seu nome, sim, estava ali. E não era na lista geral, ela tinha direito a ficar na primeira fila. Ficou sem palavras. Mostrou a identidade e entrou. Mal conseguia acreditar que em poucos minutos o veria ali, sentado à sua frente. Finalmente, ele entrou. Feliz, respondia às pessoas e respondeu a ela sorrindo, como se estivesse feliz que ela estava lá.
Saíram daquele shopping juntos, foram tomar um café e ele pôde, então, explicar a ela como resolveu convidá-la. Na verdade, ele nunca jogou as cartas dela fora, tantas cartas enviadas e nunca respondidas. E, quando ele estava fazendo uma lista daqueles convidados para o lançamento do livro, viu em seu Facebook algumas poucas mensagens que trocara com ela. Isso fez com que ele fosse buscar as cartas dela para relê-las, lembrou dos poucos encontros que eles tiveram. Pensando que ela ficasse, por acaso, sabendo do lançamento do livro, ela iria tentar ir e lá estaria o nome dela.
- Não, foi mera coincidência, Martino. Eu estava apenas passeando pelo shopping e vi a movimentação. Fui até lá e meu nome estava lá.
- Quer dizer, Catarina, que você não soube nem por acaso?
-Não, tudo isso é uma grande surpresa pra mim.
Parece que o destino começava a dar um novo rumo à história de um grande amor que, até então, era uma lembrança no coração de Catarina.
Depois daquele encontro surpresa, Catarina e Martino mantiveram contato. Eram de países diferentes, Itália e Brasil. Eram de idades diferentes, pelo menos uma década e meia de diferença. Contudo, como ela sempre quis, se tornaram amigos.
Certo dia recebeu um e-mail dele dizendo que precisava sair um pouco de sua rotina, fazer coisas diferentes e que queria sair de Veneza (terrestre) e ir a uma cidade de interior no Brasil. Como sabia que ela morava em uma cidade no Sul de Minas resolveu perguntar se poderia visitá-la e ela disse que sim, porém, no fundo não conseguia acreditar que aquilo aconteceria de verdade.
Numa tarde de férias, Catarina descansava com um livro nos braços, quando de repente ouviu o interfone. Olhou pela janela e não acreditou no que via. Abriu a porta. Pegou a chave. Abriu o pequeno portão. Ele trazia apenas uma bolsa de colar laranja e bem grande.
Cumprimentaram-se e entraram. Ela mostrou-lhe o quarto de hóspedes onde tinha um armário e um sofá cama. Onde ela às vezes dormia com a TV ligada. E o banheiro social que ele poderia usar. Era fim de tarde. Começaram a conversar no sofá da sala. O telefone tocou. Era a mãe dela que estava viajando. Catarina nem mencionou Martino na conversa. Depois que desligou o telefone, ela disse:
-Era a minha mãe. Queria saber apenas se eu estava bem em casa, se estava sozinha e disse que sim.
-Mas, você não está sozinha?
-Minha mãe não sabe de você, nunca contei a ninguém sobre o que sinto por você.
- Por quê? Sua mãe não me aprovaria? – disse Martino rindo.
-Ah, deixa pra lá... Acho que as pessoas até imaginam que você exista, mas...
-Mas... Ninguém me aprovaria por ser mais velho e morar longe?
-Ah, acho que sim... E depois, somos só amigos, né? Já está escuro, vamos fazer um lanche?
-Tudo bem.
E juntos tomaram o lanche e logo foram dormir. Catariana cedeu sua cama a ele e foi dormir no sofá cama do quarto de hóspedes.
No dia seguinte, foram andar de bicicleta pelo bairro, foram ao clube onde se divertiram na piscina. Fizeram um almoço bem brasileiro com salada de alface, tomate, cebola e palmito, com suco de abacaxi e um prato de arroz, tutu, couve refogada e mandioca frita. Um pudim de leite como sobremesa.
No final da tarde resolveram, com o calor, nadar na casa de Catarina mesmo. A piscina não era tão grande, porém, ficaram ali conversando, seus rostos se aproximaram e se beijaram.
Logo, uma tempestade parecia surgir no horizonte, entraram tomaram banho, fizeram um lanche com coisas típicas de Minas e quando acabaram de colocar a mesa a energia acabou. Foi um jantar à luz de velas. Aproveitaram e depois viram as poucas fotos que tinham juntos e os poemas que ela escrevera a ele em italiano. Martino pegou o violão dela e começou a cantar músicas em inglês que tinham tudo a ver com a história dos dois.
Catarina adormeceu no sofá e Martino levou-a em seu colo até o quarto dela. Ficou a olhá-la, acabou abraçando-a e adormecendo também.
No dia seguinte se divertiram mais e aproveitaram o horário de verão para ficarem até mais tarde na piscina da casa de Catarina. A lua já estava no céu quando outro beijo aconteceu.
Depois do jantar conversaram muito, riram, tomaram um bom vinho e mais uma vez Martino levou Catarina já quase adormecida em seus braços para a cama dela. Ali, deitou-se ao lado dela e com o rosto tão perto ao dela deu-lhe um beijo de boa noite que a fez despertar e os dois acabaram dormindo juntos com a janela do quarto aberta e a lua sendo testemunha de tudo.
No dia seguinte Martino tinha que partir, tinha uma vida na Itália. O sonho de verão estava acabando. Pegou suas coisas e se foi prometendo manter contato e que da próxima vez iriam juntos ao litoral.
Catarina também tinha que seguir com sua vida e ela sabia que a correria cotidiana a faria esquecer dele, contudo, quando chegasse o próximo verão a saudade iria arder e eles estariam juntos em Capri ou em uma pitoresca cidade de praia no litoral de São Paulo. Seis meses sempre se passariam rápido.

Copyright Karin Gobitta-Földes

terça-feira, 1 de maio de 2018

Teatro

"Teatro"

Eu tinha quase tudo, o teatro, o palco, o ator principal. Faltava-me a experiência.

Agora continuo tendo tudo, o teatro, o palco, a experiência, contudo, falta-me o ator principal.

Um dia sei que terei tudo isso e a platéia também que não precisará aplaudir-me de pé, porém, que certamente ficará muito feliz com o meu trabalho, pois, eu o farei muito bem nesse teatro chamado vida.

Karin Földes