terça-feira, 24 de maio de 2016

Tanto tempo, doce lembrança




Um quarto de década
um sonho se realizava, certo,
de um amor mais perto.

Simples assim.
Lembrou de mim.
Cheiro de jasmim.
A surpresa de um sim.

A doce transparência.
A adolescência. 
Brilho no olhar.
Tão doce o amar.

Noite especial.
Ingênua e sem nenhum mal.
De ninguém precisa do aval.
Tudo era tão natural.

Menina que voava como
uma fada.
Que vivia um momento
em cada.

Doces recordações.

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Karin F

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Esperança de menina




Procuro aquela menina
E seu grande amor.
 
Andou escondida, sumida
Pela dor.
 
Através dos espelhos da vida
Eu a encontrei.
E a ela meus conselhos eu dei.
 
Não se esqueça daquele que
Sempre foi seu norte,
Aquele que sempre te fez
Tão forte.
 
Conte a ele a verdadeira história,
Aquilo que guardas em tua memória.
 
A esperança de encontra-lo de novo
Te fará seguir te verdadeiro caminho mais uma vez.
 

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Apenas um mistério






Preciso parar com isso.
Preciso encontrar o caminho.

Andei, andei, andei
E ainda não me dei conta onde cheguei
E se cheguei.

Algo sei que conquistei,
Mas algo errado ainda continua.

Passo a passo.
Não sei onde chegar.

Sonhos.
Ilusões.
Uma vida que passou.

Bato em todas as portas

E sei que um dia a certa se abrirá.

By Karin Földes

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Em inglês

In the early days the things
were just starting
now it's finishing.

he is saying goodbye
and I don't know why.

Don't leave in my
heart this big room
hope you come back soon.


By Karin Földes

domingo, 1 de maio de 2016

Vivendo nos sonhos da história

No meio da Serra do Mar havia uma casa no caminho para o litoral. Cidade pequena, mas com seus quase 250 anos. A casa ficava um pouco afastada da cidade em um sítio tranquilo de onde só escutava os grilos, os passarinhos, os sons da natureza e ao longe os carros que passavam na estradinha. Sem internet, sem TV, como se estivesse em uma terra de mitos, segura.

A casa da época do ciclo cafeeiro tinha seus mais de cento e vinte anos. Tombada pelo patrimônio histórico. Arquitetura típica da época nas paredes, portas e janelas. Encanamento e eletricidade adaptados. A eletricidade vinha de pequenos postes que atravessavam a Serra. Assoalho de madeira, divisão diferente dos cômodos.

Sentada em uma cadeira de balanço à noite ficava imaginando aquelas sinhás e suas negras que legalmente não eram mais escravas, mas que a gente sabe que ainda estavam lá. Passavam de um lado para o outro com candeeiros na mão ou velas. Cozinhavam naquele fogão à lenha que ainda estava ali e passavam roupa com ferros em brasa como aqueles que também ainda estavam ali. O banheiro não existia, deveria ser a despensa da casa e em algum lugar fora da casa deveria ficar o banheiro. A entrada por uma escada até a sala, os possíveis toucadores.

À noite deveriam ler algo que vinha da Europa ou no máximo um texto de José de Alencar. Machado de Assis estava a publicar ainda seus textos na época...

De repente me vejo transportada para aquele tempo, eu com quarenta anos já era uma sinhá mais velha que lia à luz de vela os Lusíadas de Camões. De repente aparece a ex - escrava e diz:

-Sinhá vai precisar de mim ainda?
-Não. Pode ir deitar-se.
-Sinhazinha já está dormindo. Preciso apenas avisar voismissê que amanhã é dia de ir até a cidade comprar mantimentos para a despensa.
-Tudo bem. Iremos até lá. Tenha em mãos o que está em falta na casa.
-Sim senhora. Boa noite.
-Boa noite.

No dia seguinte, pegamos a carruagem e fomos até lá. Aproveitamos e paramos na igreja matriz para conversar com o padre. Sinhazinha, minha filha de vinte anos já estava velha para casar...Ainda bem que havia arrumado um bom moço em um dos bailes que foi e o casamento estava marcado.
Voltamos à casa grande, algo estava diferente. O sol batia em meu rosto, havia dormido ali mesmo. E, imaginando o passado acabei por entrar nele...

segunda-feira, 11 de abril de 2016

“ A trotes mais lentos”



Meu cavalinho está cansado das corridas,
De correr por aí e dar o melhor de si.

Décadas atrás mais parecia um pônei
Quando o conheci,
Tão novo, tão cheio de si.

Os anos passaram, chegou o cansaço.
Nem o mais puro sangue é feito de aço.

Pode parar por um tempo,
Porém tenho certeza que não será
Para sempre.
Não se zangue.

Há coisas que estão no sangue...


(Karin F.)

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Conversa entre amigas

Uma amiga dizendo a outra:

- Meu, imagine um cara estranho. Que ao mesmo tempo que é minucioso não sabe a própria agenda de trabalho!
-Como assim, amiga? Você conhece esse cara?
- Conheço... O pior... Gosto dele...
-Hum... E como mais ele é?
- Ele é sossegado. Se tiver oportunidade ele foge do carnaval, bem pra longe! Mas por outro lado, se meio mulherengo...
- Hum...Mas...Conte essa história direito!
-Ai, Ju, é complicado...
-Onde você conheceu esse cara?
- Em um show de rock. Os olhos azuis dele pareciam dois faróis na multidão. E o sorriso, os olhos que quase se fechavam quando ele sorria... Ele não me viu, mas eu o vi. Daí, soube dele através de uma amiga em comum nossa. Depois, por coincidência,  nos encontramos numa pizzaria em frente à praia de Copacabana. Ele estava numa mesa próxima perto da minha e olhou com ternura pra mim. Depois, veio falar comigo e eu mal conseguia falar. Acabamos tirando uma selfie, eu o abracei, coloquei minha cabeça no peito dele e ouvi seu coração bater... Então, tivemos que nos despedir. Nem o telefone dele eu peguei. Mas, saindo de lá, eu o vi dando a maior bola para outras meninas... Essa nossa amiga em comum trabalha com ele, e por isso, sei que ele é todo certinho e não sabe da própria agenda.
-Caraca, Sofia! Caso sinistro esse o seu, hein? Mas fale mais...
- Então, ele é um cara fechado, tão fechado como uma porta emperrada. Já nos encontramos outras vezes e numa delas ele me disse “relaxe – Eu parecia nervosa perto dele? – Hum... Numa outra vez agradeceu  pelas felicitações de aniversário que tinha dado a ele e noutra agradeceu muito pelas “amáveis palavras” num e-mail que escrevi. Aliás, nessa vez eu o vi lendo o e-mail, ele parecia concentrado como se o mundo ao redor dele não existisse. Tínhamos combinado de nos encontrar como amigos. E como amigos também fomos a um outro show de rock juntos, ele percebeu algo de diferente, então, pegou na minha mão, olhou nos meu olhos e perguntou o que eu queria... Me deu vontade de responder “você, né meu bem!”. Não foi isso que respondi, foi quase, disse que queria uma beijo... Ele disfarçou  e disse que já era tarde, que precisava ir embora, o show já tinha acabado, na verdade. Algumas vezes que nos encontramos na praia de manhã ele estava num humor... Ninguém é perfeito, né? Somos só amigos, pois, acho que não daríamos certo juntos.
- Por quê?
-Ah, ele é muito certinho, fechado, sei lá... Mas como amigo é tranquilo.
- E não tem namorada mesmo assim?
-Que nada! Pouquíssimas foram as sérias!
-Nossa!
-Mas é preocupado com questões sociais e ambientais. Tem bom coração.
-É, tem gente que nasce apenas para ajudar o mundo...
- Pois é.. O duro é quando a gente se apaixona por essas pessoas...
-Bom, Sofia, a conversa aqui à beira mar está ótima, mas tenho que ir andando.
-Pera aí.
- O que foi?
-Tá vendo aquela moça de bicicleta vindo em nossa direção?
-Tô. E daí.
- Ela que é a amiga em comum de quem falei...
- Será que ela está vindo conversar contigo?
-Não sei...
- Oi, Sofia! Tudo bem?
- Oi Marilda, tudo e você?
- Tudo!
-Essa é minha amiga Júlia.
-Prazer Júlia.
-Prazer.
-Então Sofia...
-Diga Marilda.
- O Nando disse que quer falar urgentemente com você.
-Quando?
-Se der pra ser agora, pois, ele está vindo aí.
-É tão urgente assim?
- Ele disse que é. Espere-o que logo ele passa. Mas eu já vou indo. Bom te encontrar! Beijo! Tchau meninas!
-Tchau...
-Tchau...
-Sofia, eu não quero atrapalhar, mas, vou ficar por perto.
-Tá.
-Oi, Sofia! Que bom te ver! Eu precisava muito mesmo falar com você. Será que a gente pode ir até ali tomar um suco?
-Tudo bem, Nando. Vamos lá.
-Então. Sente aí que eu vou pedir os sucos. Aposto que você quer uma limonada, né?
-Acertou!
-Já volto.
-Tá.
-Prontinho. Aqui está.
- E então?
- É que eu vou ficar uns tempos sem falar direito com você.
-Por quê?
-Vou viajar, vou pra Europa à trabalho e daí fica complicado...Estando longe, trabalhando...
-Tá bom.
-Em um mês eu volto. Não fique chateada, tá?
-Não! Claro que não!
-Bom, agora tenho que ir. Beijo, Sofia! Tchau!
-Tchau, Nando...
-E aí, amiga?
-Você nem vai acreditar Ju...
- O quê? Ele te pediu em namoro?
-Que nada! Disse que vai viajar a trabalho, vai ficar um mês fora e, por isso, nesse tempo de um mês não falará direito comigo.
-Ah, fala sério!
-Depois dessa amiga, com certeza serei apenas amiga dele e mostrarei bem isso. Hoje mesmo vou sair com um gatinho que estava me paquerando.
- É isso aí! Dê bola para quem te dá bola, como num jogo de tênis!
- Hahahahahaha Só você pra dizer essas coisas!
-Bora pra casa! Vamos juntas pois, moramos tão longe uma dá outra...
-Pois, é, só no mesmo prédio...
-Hahahahaha